Kit sempre teve uma vida muito dificil. A sua mãe morrera
jovem o deixando ao encargo de seu Pai e seus trés irmãos. Estes, tinham por
habito maltrata-lo por ser diferente... Será que a sua vida irá sempre ser a de
um jovem abusado? Será que existe alguém la fora que poderá ama-lo? Kit
esperava que sim... Mas agora que fora raptado por seres superiores, será que
poderá ser algo mais de que um escravo?
Exerto:
Era
um dia como qualquer outro. Kit levantou-se e correu para começar os seus
deveres em casa. Servir o pequeno almoço, limpar a casa, servir a sua famÃlia e
se ainda tivesse forças e tempo, poderia ir à escola da aldeia.
O
problema era que Kit nem sempre tinha este tempo. E as vezes, nem forças.
Olhando
para a janela Kit tentou lembrar-se da última vez que foi feliz... Mas nada lhe
vinha à mente. A verdade era que já se passaram longos anos desde da sua outra
vida.
O
problema de Kit era que ele nascera diferente. Uma diferença que a sua famÃlia
o fazia pagar todos os dias.
Enquanto
o seu pai era alto e um orgulhoso descendente dos altivos Viking, cabelos
longos e loiros, forte e rebusto. Kit era o oposto: pequeno, gracioso de olhos
dourados. Se ao menos os seus irmãos fossem como ele, talvez teria ajudado. Mas
os seus irmão eram altos como o Pai, e tão maus quanto ele.
Kit,
por sua vez, era pequeno, ágil e muito efeminado. Tinha traços delicados que
até poderia ser chamado de lindo. Os longos cabelos aloirados quase brancos,
que era a única caracterÃstica que tinha da sua famÃlia, não ajudava pois os tinha
tão longos, que mais parecia uma menina. Mais uma razão para o seu pai e seus
irmão o atormentarem tanto.
Se
sua mãe ainda fosse viva, talvez teria com quem conversar ou pelo menos alguém
para o ajudar. Mas não, sua mãe havia falecido há muito tempo.
Uma
palmada na parte traseira da sua cabeça o acordou dos seus pensamentos:
-
Já acordou, princesa? Então quero o meu pequeno almoço! Exclamou seu irmão
Igosar. E rápido! Acrescentou.
-
Sim, sussurrou Kit. - Vou já!
Seu
pai, que entrava nesse momento na sala, aproveitou para dar-lhe um murro na
cara. Kit não teve tempo de se desviar e foi parar do outro lado da sala,
atordoado.
A
sala, por instantes, saiu do foco mas, habituado como estava, respirou fundo e
foi fazer o que fora ordenado. Sábia que se ali ficasse, a porrada que iria
receber seria pior.
Kit
esperava poder sair desta aldeia e ir ver o mundo, mas os tempos eram tão
perigosos que não podia ir muito longe, pois sem escolta ou companheiro de
viagem, muita coisa poderia acontecer. Sobretudo para um pessoa com tão boa
aparência como Kit.
Servira
o pequeno almoço à famÃlia limpou a casa e depois fugira para a escola a tempo
de aprender algumas coisas. Seu pai e dois dos seus irmãos mais velhos, Dareck
e Sven, foram fazer alguns negócios na aldeia vizinha. Sabia que por lá
ficariam durante pelo menos três dias. Três dias de descanso.
Que
alivio! Levara tareia do pai e dos irmãos durante aquela semana toda, e estes
três dias iriam fazer-lhe bem, iriam curar o seu corpo e a sua mente machucada.
A
caminho de casa, andava alguns passos atrás do seu irmão Igosar. Igosar não era
o pior dos seus irmãos, mas mesmo ele, não permitiria a Kit de andar a seu lado
nas ruas da aldeia. O que era perfeito, pois assim tinha tempo para pensar na
sua vida, nas aventuras que gostaria de viver. Mundos que poderia conhecer.
Seres que poderia encontrar.
Olhando
para cima, Kit podia ver um grande plateau de terra, suspensa por cima das suas
cabeças. Ali, supostamente viviam seres superiores.
Todos
os meses, o nosso povo doava alimentos para eles, as raparigas mais bonitas,
muitas das vezes fugiam de casa, na esperança de casar com um deles.
Era
dito que eles eram lindos e que todos, sem exceções, tinha olhos de um azul
glacial, e eram mais fortes do que o seu próprio pai.
Meu
Deus! Seria possÃvel existirem seres assim?
Diz-se
que eles voavam em pequenos dragons a que chamavam de drakkonar. Kit nunca vira
um ser assim. Eles eram a própria descendência de Thor ele mesmo. E por isso
eram chamados de Thorenian. Kit teria duvidado que tal ser existisse se não
fosse pelo medo que vira muitas vezes no olhar do seu pai, quando falava deles.
Alguém
que inspirasse medo assim a seu pai tão cruel, só poderia ser da pior espécie.
-
O que aconteceu com a sua cara? - Perguntou uma voz no seu ouvido.
Dando
um pulo, Kit virou-se para ver quem estava a falar com ele.
-
Ai, Siara, assustaste-me. - Exclamou Kit.
-
Desculpa. Já estavas perdido nos teus pensamentos outra vez, não?
-
Já sabes como sou! - Disse Kit. Rindo.
Siara
era a única pessoa nesta aldeia que falava consigo. Todos os que viviam em
Avala conheciam o seu pai e os seus irmão e tinham medo deles, por isso não
ousavam dirigir-lhe a palavra.
Siara
era destemida. Ela era mais alta do que Kit e tinha uns cabelos ruivos
ondulados até à cintura. Os olhos, era o que Kit mais gostava. Eram verdes e
tão grande que parecia que iria ler a alma de uma pessoa.
A
razão de Kit se dar tão bem com ela, era porque ela também era uma vitima nesta
aldeia. Como era muito bonita, era muitas vezes assediada pelos homens.
Como
seu irmão, Sven tinha, há muito tempo, decretado que ela seria dele, ninguém a
tocava. Mas os abusos verbais e o medo que Sven e seu amigos colocavam nela
todos os dias, a fazia uma aliada na depressão.
Enquanto
andavam a caminho da casa de Kit, ouviram um barulho de asas e gritos.
Olharam
para cima a tempo de ver um grupo, do que só poderia ser de drakkonares,
montados por homens ou monstros, armados e quase nus, que cada vez estavam mais
próximos deles. Ao lado de Kit, Siara pegara na sua mão e começou a correr.
-
Rápido Kit, vamos nos esconder! - Grita uma Siara muito assustada.
-Ai!
- Grita Kit quando uma mão forte o agarra pelo braço, só para ser puxado para
cima.
-Siara!
Ajuda! - Grita Kit.
Mas
Siara, ela mesma vitima de um destes homens-monstros, pouco podia fazer para
ajuda-lo.
-Kit!
- Grita Siara antes que o bicho alado a levasse para longe.
-
Chega de gritos pequena! Ninguém te poderá ajudar! - Disse uma voz rouca no seu
ouvido- Agora és minha!
O
medo, a ansiedade e a dor em seu corpo o fizeram desmaiar, mas não antes que
ele visse a sua aldeia desaparecer debaixo de seus pés.
Kit
abraçou a escuridão com agrado.
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