Versão Portuguesa -
Versão Inglesa
Cole tinha sido expulso da casa de famÃlia por ser gay
... e por ter se apaixonado pelo noivo de sua irmã.
Agora, anos mais
tarde, ele re-encontrou Byron, que alegava ser separado de sua esposa.
Cole não sabia
noque acreditar. Seria possÃvel perdoar a mentira que Byron contou no passado?
Estaria pronto
para envolver-se novamente num amor que quase destruiu a sua vida anos atrás?
Quando achou que
sim, a vida deu outra volta, tornando o amor, na escolha mais difÃcil da sua
vida...
Byron nunca
pensou que poderia apaixonar-se por um homem, mas quando conheceu Cole, a vida
mostrou-lhe que nada era difinitivo. Em nome do amor e da paixão fez coisas que
nunca havia feito antes, mentiu e enganou. Tudo o que queria era ter Cole na
sua vida, e para isso, faria o que fosse preciso.
Exerto:
Do segundo andar do rancho, onde a sua famÃlia passava as férias, Cole de
Vere conseguia ver os estábulos, onde estavam os cavalos de raça do seu pai.
Embora adorasse os cavalos, sobretudo o Silver, o seu puro-sangue, naquele
momento não era para o animal que estava a olhar. Era o capataz, que o seu pai
tinha contratado para cuidar dos animais, que lhe roubava a atenção. Mike era
alto e musculoso, tinha uma pele da cor do caramelo, que traÃa as suas origens
mexicanas.
Aos quinze anos, Cole já sabia que olhar para rapazes não era normal, mas
cobiçar assim um homem que tinha o dobro da sua idade, e tendo o seu corpo
jovem reagindo a ele, era uma indicação de algo que temia era verdade: era
homosexual e estava apaixonado pelo empregado do pai.
Como é que ele, Cole De Vere, iria contar uma coisa dessas à sua famÃlia?
Melhor ainda, como o iria dizer ao seu pai? Como o honorável Senhor Juiz Walter
de Vere, descendente duma ilustre famÃlia escocesa, que tinha se mudado para os
Estados Unidos e tornou se num dos amigos mais próximos do Presidente, iria
reagir ao saber que o seu filho mais novo era homossexual? Não queria nem
imaginar.
De repente, Mike olhou para cima, viu-o olhar fixamente, como já fazia há
algum tempo, e sorriu. Esse sorriso foi o que bastou para Cole sair do choque
e, envergonhado, entrar rapidamente como a criança que era.
Toda a famÃlia De Vere tinha ido passar o feriado do quatro de julho no
rancho familiar, e mesmo sendo originários da Escócia, o seu pai gostava de
mostrar ao Presidente que era um homem do mundo. Cole achava que se assemelhava
mais a um lambe botas, mas ninguém nunca pediu a sua opinião. Com medo que
alguém o viesse procurar, e descobrisse o que estava a fazer, decidiu descer
imediatamente.
Na grande sala, toda a famÃlia estava reunida, e por mais que o ilustre Sr.
Walter preferisse estar naquele momento na Casa Branca para festejar a
independência, não podia. Sempre se vangloriou de ser um homem de famÃlia, e
deixá-la numa ocasião tão importante, para passar o dia com polÃticos, não
cairia bem para a sua reputação.
Os seus dois irmãos estavam naquele momento ao lado do seu pai, cópias
perfeitas do homem mais velho, os três grandes homens, com corpos tonificados e
finos e com os cabelos pretos como breu. Cole, pelo contrário, era alto e
magro, o cabelo loiro pálido com tantos caracóis, que não obedeciam em nada à s
suas tentativas para discipliná-los.
Ele era mais como a famÃlia do lado da sua mãe. Pelo menos era o que
pensava, nunca a tinha encontrado pessoalmente, apenas a havia observado nas
revistas de moda antigas. Kerstin, era alta e esguia, tinha o cabelo louro
quase branco devido à sua ascendência sueca. Embora já tivesse cinquenta e
cinco anos, ainda tinha a beleza e a graça de quando era jovem, ela foi uma
manequim de renome nos desfiles do mundo. Neste momento, é casada com um rico
magnata grego, Cole duvidava que o seu marido soubesse que ela tinha um filho.
Todas as tentativas de contacto, por parte de Cole, foram recebidas com
silêncio. Mensagem recebida: ela não queria saber dele para nada. O seu pai
apagou o seu erro de juventude, abandonando a sua mãe para casar com uma
herdeira, Olivia, e a sua mãe esqueceu o dela, deixando o “erro” à porta do
antigo amante. Ele tinha tudo para ser feliz. Ou não.
Enquanto via a sua famÃlia posar para a foto, o seu pai, a sua madrasta, os
seus irmãos mais velhos, Robert, John, Kate e a Anna, ficou na dúvida se
devia-se juntar a eles. O seu pai, como se adivinhasse os seus pensamentos,
olhou para ele com o olhar frio e uma mensagem explÃcita: “Não venha!”. Cole
parou no momento em que ia avançar, ficando congelado no sÃtio, percebendo a
mensagem. Já devia estar habituado.
Afinal, o seu pai era um homem muito frio para ele e, se não tivesse todos
os dias a prova de que ele era capaz de aconselhar e ouvir, perante a atitude
que tinha com os seus irmãos, até não se teria importado, mas o problema era
que quando se tratava de John ou Rob, ele era firme sim, mas aconselhava-os e
ouvia-os. Via-se que também gostava da sua madrasta, à sua maneira, porque
dava-lhe atenção e era carinhoso, às vezes, desde que ela ficasse no seu lugar.
O problema era consigo. O seu pai não gostava dele, não queria ir tão longe ao
ponto de dizer que não o amava, mas quase. Já tinha tentado, várias vezes,
conversar com a sua mãe, que nunca respondia, ou mesmo com a sua madrasta, mas
ela sempre dizia que era tudo da sua cabeça, que era a sua grande imaginação.
Cole não era estúpido, a sua madrasta é que era cega, ou fingia sê-lo.
Desanimado, por ver a famÃlia perfeita ser rodeada pelos amigos e
familiares, saiu e foi em direção aos estábulos. Sabia que estava a brincar com
o fogo, mas precisava de mudar as ideias, de se distrair. O frio atingiu-lhe a
cara, mas não voltou para pegar o casaco. Não queria que o vissem, ou pior, que
o obrigassem a ficar e assistir a famÃlia modelo, da qual, na maior parte das
vezes, nem se lembrava que, na fotografia, faltava um membro. Ele.
Quando chegou à porta dos estábulos, ouviu o seu cavalo relinchar, decerto
já sabia que se aproximava, e a voz calma de Mike, que cantava em voz baixa.
Entrou antes que desistisse, ficando durante uns minutos a olhar para o seu
corpo grande e forte, de costas para a entrada. Era jovem, mas o desejo que
sentia não era o duma criança. Aproximou-se e, com mais confiança do que
realmente sentia, disse:
— O meu cavalo gosta da tua música.
Mike pulou ao som da sua voz e virou-se
— Assustaste-me! — exclamou. — O que fazes aqui, em vez de estares com a
tua famÃlia a celebrar este dia?
— Ia perguntar-te o mesmo. Porquê trabalhar num feriado em vez de estares
com a tua famÃlia? Gostas assim tanto de trabalhar, que preferes passar o
feriado aqui? — disse Cole.
No Ãntimo, queria que ele dissesse que era por ele que ali estava, o que
seria ridÃculo. Cole nem sabia se ele era casado ou mesmo homossexual. Sabia
que não iria interessar-se por uma criança de quinze anos, filho do patrão, um
dos juÃzes mais respeitados do paÃs.
Sentia-se só o tempo todo, tanto que na sua cabeça tinha inventado uma
história, uma fantasia em que ele iria declarar o seu amor, Mike iria
corresponder e esperar que ele completasse os dezoito anos para ficarem juntos.
Um psicólogo faria fortuna com ele, por causa das suas ideias e fantasias. Ele
não precisava de um para saber qual o seu problema: era falta de amor paternal
com transferência desses sentimentos para um homem mais velho. Porém duvidava
que um psicólogo, por melhor que fosse, poderia curar-lhe o facto de ser
homosexual.
— Vou agora para a casa da minha irmã e do seu marido, mas deixei a carteira
com os documentos aqui. Vi que Silver estava um pouco inquieto e estava só a
acalmá-lo, antes de partir. – informou Mike.
— Ah está bem. Sim, não podes viajar sem os documentos. — disse sem
realmente saber o que dizer. — Deves pensar que sou um tolo por espiar-te da
janela, não?
—Porque acharia isso? — perguntou, aproximando-se. – Ao contrário, acho
lindo.
O sorriso do homem mais velho revelou que os seus dentes eram tortos, mas
Cole não viu nada disso, tão preso que estava na sua fantasia. Quando Mike
ficou tão próximo dele, não soube como reagir, na realidade ficou um pouco com
medo. Que tolo era por brincar com um homem a sério, com coisas sérias como o
amor.
— Espero que faças uma boa viagem, tu e a tua mulher. – Queria saber se
tinha mulher, mas não se atrevia a ser tão direto.
— Vou sozinho — Mike deu mais um passo, ficou tão perto que uma mão
não poderia passar por entre os dois.
— Ah — Cole ficou mudo, não sabia mais o que dizer, o seu coração já batia
tão forte que não conseguia mais ouvir o barulho dos cavalos.
O perfume viril de Mike era tão intenso que nem o cheiro dos estábulos o
incomodava. Quando este inclinou-se e o beijou, sentiu borboletas na barriga.
Estava tão nervoso, ficou quieto. Se Mike reparou que era o seu primeiro beijo,
não comentou. Ele forçou-o a dar passos para trás e Cole encontrou-se com as
costas contra a parede de madeira. Uma das suas mãos estava no fecho das suas
calças de ganga, tentando entrar para o tocar intimamente. O medo substituiu o
desejo que sentia, era imenso. Não estava preparado para tanto, tentou
afastá-lo mas Mike era tão forte que não se conseguiu mexer.
— Para! — pediu Cole. — Estás a aleijar-me.
— Pensas que podes assediar-me, como fazes o dia todo a seguir-me com esses
olhos de cachorrinho pedinchão, e agora vais deixar-me assim? — apontou para a
virilha. — Não me parece.
— Por favor, não... Eu não queria... Deixa-me ir.
Cole implorava, mas Mike, que já havia substituÃdo a calma que mostrava no
inÃcio pela raiva, avançava com fúria. Uma gota de sangue caiu-lhe pelo
queixo, prova da brutalidade do homem mais velho.
— Vocês são todos iguais, pensam que só porque são ricos podem gozar com os
empregados? – perguntou em tom de raiva. — Vais ver! — prometeu. Com aquelas
palavras, rasgou a camisa de Cole e começou a morder-lhe o pescoço.
Meu deus! Como é que as suas fantasias, tão lindas e
puras, tinham tornado-se numa coisa tão feia? Pensou.
Tentava, com todas as suas forças, afastá-lo, mas o choque e as mãos duras
de Mike o tinham num aperto duro. Sentiu vontade de mijar de medo, parecia que
o ia fazer de verdade. Queria gritar, mas com a mão que lhe tapava a boca mais
parecia um gemido. Quando pensou que não tinha mais como escapar, Mike o largou
e Cole, sem forças, ficou ali parado. Sentiu a urina cair-lhe pelas pernas
abaixo, manchando-lhe as calças. Foi a única reação que teve face à brutalidade
de Mike.
Quando, por fim, o zumbido dos seus ouvidos parou de soar tão alto, pôde
finalmente ouvir a voz de Mike e a do seu pai. Este, que tinha ido ver o que se
passava nos estábulos, porque a porta estava aberta de noite, ficou chocado
quando se deparou com a visão do seu filho Cole num abraço confuso com um dos
seus empregados - Mike. Chateado além do possÃvel, ainda pensou que o pequeno
estava a ser violentado, mas o gemido que ouviu sair da sua boca, e as calças
molhadas - que incorrectamente pensou ser prova de desejo - contava outra
história. Sempre soube que Cole lhe causaria problemas. As explicações do
empregado o deixavam mais perto de perder a paciência.
— Foi ele que me procurou e tentou-me a cada oportunidade. O senhor sabe
que não sou gay e que tenho mulher, mas ele passou estes dias a seguir-me… —
parou de falar nervoso.
Casado? Oh meu deus! Como era possÃvel ter se enganado tanto ao ponto de se
colocar numa situação dessas? Se Mike era casado porque tinha… Feito aquilo?
— Isso é verdade, miúdo? — A voz do Juiz soava como trovão no recinto
fechado e com o som da chuva, que caÃa no exterior.
— Bem... Na verdade... Sim, eu... Mas — O horror o fazia gaguejar, Cole
queria explicar que o havia seguido sim, mas nunca iria concordar com tal
monstruosidade e que estava a ser forçado.
Se não fosse pela chegada do pai não sabia o que poderia ter acontecido. Só
de pensar, começou a chorar novamente.
— Já devia saber. — afirmou o juiz. — És mesmo imprestável. E ainda por
cima gay? Achas que eu, um juiz amigo próximo do Presidente, vou ter um filho
gay?
— Se calhar eu devia… — começou a dizer Mike, sendo interrompido pelo
patrão.
— Arrumar as tuas coisas e nunca mais voltar. — completou o juiz.
— Mas eu não fiz nada foi, foi tudo culpa desse fedelho.
— Sim pois. — concordou o senhor Walter. — Mas esse maricas tem quinze anos
e ainda é menor. Se te voltar a ver por aqui faço queixa.
Era uma ameaça vazia, pois não queria escândalos associados ao seu bom
nome, esse que prezava acima de tudo. Claro que o outro não precisava de
saber.
Aucun commentaire:
Enregistrer un commentaire