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mardi 31 juillet 2018

O seu Verdadeiro Lar - Livro I

                                   Versão Portuguesa              -                    Versão Inglesa


Cole tinha sido expulso da casa de família por ser gay ... e por ter se apaixonado pelo noivo de sua irmã.
Agora, anos mais tarde, ele re-encontrou Byron, que alegava ser separado de sua esposa.
Cole não sabia noque acreditar. Seria possível perdoar a mentira que Byron contou no passado?
Estaria pronto para envolver-se novamente num amor que quase destruiu a sua vida anos atrás?
Quando achou que sim, a vida deu outra volta, tornando o amor, na escolha mais difícil da sua vida...

Byron nunca pensou que poderia apaixonar-se por um homem, mas quando conheceu Cole, a vida mostrou-lhe que nada era difinitivo. Em nome do amor e da paixão fez coisas que nunca havia feito antes, mentiu e enganou. Tudo o que queria era ter Cole na sua vida, e para isso, faria o que fosse preciso.


Exerto: 

Do segundo andar do rancho, onde a sua família passava as férias, Cole de Vere conseguia ver os estábulos, onde estavam os cavalos de raça do seu pai. Embora adorasse os cavalos, sobretudo o Silver, o seu puro-sangue, naquele momento não era para o animal que estava a olhar. Era o capataz, que o seu pai tinha contratado para cuidar dos animais, que lhe roubava a atenção. Mike era alto e musculoso, tinha uma pele da cor do caramelo, que traía as suas origens mexicanas.
Aos quinze anos, Cole já sabia que olhar para rapazes não era normal, mas cobiçar assim um homem que tinha o dobro da sua idade, e tendo o seu corpo jovem reagindo a ele, era uma indicação de algo que temia era verdade: era homosexual e estava apaixonado pelo empregado do pai.
Como é que ele, Cole De Vere, iria contar uma coisa dessas à sua família? Melhor ainda, como o iria dizer ao seu pai? Como o honorável Senhor Juiz Walter de Vere, descendente duma ilustre família escocesa, que tinha se mudado para os Estados Unidos e tornou se num dos amigos mais próximos do Presidente, iria reagir ao saber que o seu filho mais novo era homossexual? Não queria nem imaginar.
De repente, Mike olhou para cima, viu-o olhar fixamente, como já fazia há algum tempo, e sorriu. Esse sorriso foi o que bastou para Cole sair do choque e, envergonhado, entrar rapidamente como a criança que era.
Toda a família De Vere tinha ido passar o feriado do quatro de julho no rancho familiar, e mesmo sendo originários da Escócia, o seu pai gostava de mostrar ao Presidente que era um homem do mundo. Cole achava que se assemelhava mais a um lambe botas, mas ninguém nunca pediu a sua opinião. Com medo que alguém o viesse procurar, e descobrisse o que estava a fazer, decidiu descer imediatamente.
Na grande sala, toda a família estava reunida, e por mais que o ilustre Sr. Walter preferisse estar naquele momento na Casa Branca para festejar a independência, não podia. Sempre se vangloriou de ser um homem de família, e deixá-la numa ocasião tão importante, para passar o dia com políticos, não cairia bem para a sua reputação.
Os seus dois irmãos estavam naquele momento ao lado do seu pai, cópias perfeitas do homem mais velho, os três grandes homens, com corpos tonificados e finos e com os cabelos pretos como breu. Cole, pelo contrário, era alto e magro, o cabelo loiro pálido com tantos caracóis, que não obedeciam em nada às suas tentativas para discipliná-los.
Ele era mais como a família do lado da sua mãe. Pelo menos era o que pensava, nunca a tinha encontrado pessoalmente, apenas a havia observado nas revistas de moda antigas. Kerstin, era alta e esguia, tinha o cabelo louro quase branco devido à sua ascendência sueca. Embora já tivesse cinquenta e cinco anos, ainda tinha a beleza e a graça de quando era jovem, ela foi uma manequim de renome nos desfiles do mundo. Neste momento, é casada com um rico magnata grego, Cole duvidava que o seu marido soubesse que ela tinha um filho.
Todas as tentativas de contacto, por parte de Cole, foram recebidas com silêncio. Mensagem recebida: ela não queria saber dele para nada. O seu pai apagou o seu erro de juventude, abandonando a sua mãe para casar com uma herdeira, Olivia, e a sua mãe esqueceu o dela, deixando o “erro” à porta do antigo amante. Ele tinha tudo para ser feliz. Ou não.
Enquanto via a sua família posar para a foto, o seu pai, a sua madrasta, os seus irmãos mais velhos, Robert, John, Kate e a Anna, ficou na dúvida se devia-se juntar a eles. O seu pai, como se adivinhasse os seus pensamentos, olhou para ele com o olhar frio e uma mensagem explícita: “Não venha!”. Cole parou no momento em que ia avançar, ficando congelado no sítio, percebendo a mensagem. Já devia estar habituado.
Afinal, o seu pai era um homem muito frio para ele e, se não tivesse todos os dias a prova de que ele era capaz de aconselhar e ouvir, perante a atitude que tinha com os seus irmãos, até não se teria importado, mas o problema era que quando se tratava de John ou Rob, ele era firme sim, mas aconselhava-os e ouvia-os. Via-se que também gostava da sua madrasta, à sua maneira, porque dava-lhe atenção e era carinhoso, às vezes, desde que ela ficasse no seu lugar. O problema era consigo. O seu pai não gostava dele, não queria ir tão longe ao ponto de dizer que não o amava, mas quase. Já tinha tentado, várias vezes, conversar com a sua mãe, que nunca respondia, ou mesmo com a sua madrasta, mas ela sempre dizia que era tudo da sua cabeça, que era a sua grande imaginação. Cole não era estúpido, a sua madrasta é que era cega, ou fingia sê-lo.
Desanimado, por ver a família perfeita ser rodeada pelos amigos e familiares, saiu e foi em direção aos estábulos. Sabia que estava a brincar com o fogo, mas precisava de mudar as ideias, de se distrair. O frio atingiu-lhe a cara, mas não voltou para pegar o casaco. Não queria que o vissem, ou pior, que o obrigassem a ficar e assistir a família modelo, da qual, na maior parte das vezes, nem se lembrava que, na fotografia, faltava um membro. Ele.
Quando chegou à porta dos estábulos, ouviu o seu cavalo relinchar, decerto já sabia que se aproximava, e a voz calma de Mike, que cantava em voz baixa. Entrou antes que desistisse, ficando durante uns minutos a olhar para o seu corpo grande e forte, de costas para a entrada. Era jovem, mas o desejo que sentia não era o duma criança. Aproximou-se e, com mais confiança do que realmente sentia, disse:
— O meu cavalo gosta da tua música.
Mike pulou ao som da sua voz e virou-se
— Assustaste-me! — exclamou. — O que fazes aqui, em vez de estares com a tua família a celebrar este dia?
— Ia perguntar-te o mesmo. Porquê trabalhar num feriado em vez de estares com a tua família? Gostas assim tanto de trabalhar, que preferes passar o feriado aqui? — disse Cole.
No íntimo, queria que ele dissesse que era por ele que ali estava, o que seria ridículo. Cole nem sabia se ele era casado ou mesmo homossexual. Sabia que não iria interessar-se por uma criança de quinze anos, filho do patrão, um dos juízes mais respeitados do país.
Sentia-se só o tempo todo, tanto que na sua cabeça tinha inventado uma história, uma fantasia em que ele iria declarar o seu amor, Mike iria corresponder e esperar que ele completasse os dezoito anos para ficarem juntos. Um psicólogo faria fortuna com ele, por causa das suas ideias e fantasias. Ele não precisava de um para saber qual o seu problema: era falta de amor paternal com transferência desses sentimentos para um homem mais velho. Porém duvidava que um psicólogo, por melhor que fosse, poderia curar-lhe o facto de ser homosexual.
— Vou agora para a casa da minha irmã e do seu marido, mas deixei a carteira com os documentos aqui. Vi que Silver estava um pouco inquieto e estava só a acalmá-lo, antes de partir.  – informou Mike.
— Ah está bem. Sim, não podes viajar sem os documentos. — disse sem realmente saber o que dizer. — Deves pensar que sou um tolo por espiar-te da janela, não?
—Porque acharia isso? — perguntou, aproximando-se. – Ao contrário, acho lindo.
O sorriso do homem mais velho revelou que os seus dentes eram tortos, mas Cole não viu nada disso, tão preso que estava na sua fantasia. Quando Mike ficou tão próximo dele, não soube como reagir, na realidade ficou um pouco com medo. Que tolo era por brincar com um homem a sério, com coisas sérias como o amor.
— Espero que faças uma boa viagem, tu e a tua mulher. – Queria saber se tinha mulher, mas não se atrevia a ser tão direto.
—  Vou sozinho — Mike deu mais um passo, ficou tão perto que uma mão não poderia passar por entre os dois.
— Ah — Cole ficou mudo, não sabia mais o que dizer, o seu coração já batia tão forte que não conseguia mais ouvir o barulho dos cavalos.
O perfume viril de Mike era tão intenso que nem o cheiro dos estábulos o incomodava. Quando este inclinou-se e o beijou, sentiu borboletas na barriga. Estava tão nervoso, ficou quieto. Se Mike reparou que era o seu primeiro beijo, não comentou. Ele forçou-o a dar passos para trás e Cole encontrou-se com as costas contra a parede de madeira. Uma das suas mãos estava no fecho das suas calças de ganga, tentando entrar para o tocar intimamente. O medo substituiu o desejo que sentia, era imenso. Não estava preparado para tanto, tentou afastá-lo mas Mike era tão forte que não se conseguiu mexer.
— Para! — pediu Cole. — Estás a aleijar-me.
— Pensas que podes assediar-me, como fazes o dia todo a seguir-me com esses olhos de cachorrinho pedinchão, e agora vais deixar-me assim? — apontou para a virilha. — Não me parece.
— Por favor, não... Eu não queria... Deixa-me ir.
Cole implorava, mas Mike, que já havia substituído a calma que mostrava no início pela raiva,  avançava com fúria. Uma gota de sangue caiu-lhe pelo queixo, prova da brutalidade do homem mais velho.
— Vocês são todos iguais, pensam que só porque são ricos podem gozar com os empregados? – perguntou em tom de raiva. — Vais ver! — prometeu. Com aquelas palavras, rasgou a camisa de Cole e começou a morder-lhe o pescoço.
Meu deus! Como é que as suas fantasias, tão lindas e puras, tinham tornado-se numa coisa tão feia? Pensou.
Tentava, com todas as suas forças, afastá-lo, mas o choque e as mãos duras de Mike o tinham num aperto duro. Sentiu vontade de mijar de medo, parecia que o ia fazer de verdade. Queria gritar, mas com a mão que lhe tapava a boca mais parecia um gemido. Quando pensou que não tinha mais como escapar, Mike o largou e Cole, sem forças, ficou ali parado. Sentiu a urina cair-lhe pelas pernas abaixo, manchando-lhe as calças. Foi a única reação que teve face à brutalidade de Mike.
Quando, por fim, o zumbido dos seus ouvidos parou de soar tão alto, pôde finalmente ouvir a voz de Mike e a do seu pai. Este, que tinha ido ver o que se passava nos estábulos, porque a porta estava aberta de noite, ficou chocado quando se deparou com a visão do seu filho Cole num abraço confuso com um dos seus empregados - Mike. Chateado além do possível, ainda pensou que o pequeno estava a ser violentado, mas o gemido que ouviu sair da sua boca, e as calças molhadas - que incorrectamente pensou ser prova de desejo - contava outra história. Sempre soube que Cole lhe causaria problemas. As explicações do empregado o deixavam mais perto de perder a paciência.
— Foi ele que me procurou e tentou-me a cada oportunidade. O senhor sabe que não sou gay e que tenho mulher, mas ele passou estes dias a seguir-me… — parou de falar nervoso.
Casado? Oh meu deus! Como era possível ter se enganado tanto ao ponto de se colocar numa situação dessas? Se Mike era casado porque tinha… Feito aquilo?
— Isso é verdade, miúdo? — A voz do Juiz soava como trovão no recinto fechado e com o som da chuva, que caía no exterior.
— Bem... Na verdade... Sim, eu... Mas — O horror o fazia gaguejar, Cole queria explicar que o havia seguido sim, mas nunca iria concordar com tal monstruosidade e que estava a ser forçado.
Se não fosse pela chegada do pai não sabia o que poderia ter acontecido. Só de pensar, começou a chorar novamente.
— Já devia saber. — afirmou o juiz. — És mesmo imprestável. E ainda por cima gay? Achas que eu, um juiz amigo próximo do Presidente, vou ter um filho gay?
— Se calhar eu devia… — começou a dizer Mike, sendo interrompido pelo patrão.
— Arrumar as tuas coisas e nunca mais voltar. — completou o juiz.
— Mas eu não fiz nada foi, foi tudo culpa desse fedelho.
— Sim pois. — concordou o senhor Walter. — Mas esse maricas tem quinze anos e ainda é menor. Se te voltar a ver por aqui faço queixa.


Era uma ameaça vazia, pois não queria escândalos associados ao seu bom nome, esse que prezava acima de tudo. Claro que o outro não precisava de saber.

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Para Profisionais

M J Giani

M J Giani é uma autora de romances com temática LGBT.

Quando não está focada na sua escrita, passa a vida a viajar pelo mundo fora, ou a passear pelo seu belo país Portugal, sempre com a sua família. Estudou Ciências da comunicação na Universidade de Lisboa e viveu muitos anos em França, quando era mais jovem...







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