O que o Angel Ventura queria mais do que
tudo, era sair de casa e ir viver e trabalhar na grande cidade de Nova York.
Sobretudo se pudesse trabalhar na mesma empresa que o homem da sua vida: o
Jerome. Optimista como sempre, não se importou que para isso, ele tinha de
trabalhar em contacto direto com o dono da empresa: Katsumi Hiroshi Black, um chefe
Yakuza...
Sumi sempre teve a sua vida sobre controle e assim, eram
geridas as suas empresas - legais e ilegais. Quando as circunstâncias fizeram
com que Angel fosse o seu novo secretário, ele não esperava ficar atraído pelo
jovem, e fez de tudo para não ser levado pelo pequeno tornado. Resistiu sempre,
até porque a sua vida não tinha espaço para sentimentos. Até ao dia…
Exerto:
O homem alto e vestido de forma elegante
olhou para o corpo sem vida aos seu pés e afastou um deles, quando viu que
estava muito próximo ao braço do morto. Fez uma careta quando viu que uma gota
de sangue manchava o sapato caro. Ele era um mero wakashu dentro da
organização, fazia aquilo que o seu chefe mandava, e mesmo sendo quem era, não
tinha regalias nenhumas. Estava farto, cansado.
– Limpa isto. – disse com a sua voz grossa,
apontando para o chão.
Estava cansado.
Não queria mais ser um Bullet – como muitos
o chamavam – porque ele era aquele que
castigava as pessoas que traiam o grupo, ele queria mais. Antes, o que
fazia, costumava ser algo com qual sentia orgulho e que trazia um certo sentido
de pertence, não mais. Naquele momento só sentia asco.
– Preciso de uma mudança. – disse ele em
voz baixa.
– Desculpa? – perguntou um dos seus irmãos do grupo.
–Nada. – virou–se e foi em direção à porta
do armazém abandonado. O motorista que o tinha trazido ali, abriu a porta da
seu carro, assim que o viu, e ele entrou.
– Para onde, senhor?
– Aeroporto.
Se o motorista ficou espantado com a
resposta não o demonstrou. – Pois não.
O homem olhou para as ruas movimentadas, de
dentro do seu carro não conseguia ouvir o barulho do exterior, e devagar sentiu
o sono a chegar. O seu último pensamento foi que o seu avô não iria gostar,
quando soubesse que ele tinha abandonado não só o seu «trabalho», como também o
país, mas naquele momento, o homem não se importou.
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